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sábado, 31 de janeiro de 2015

Confusão em presídio do Recife deixa um detento morto e quatro feridos



Do G1 PE.







   Uma confusão no Complexo Prisional do Curado (antigo Aníbal Bruno), na Zona Oeste do Recife, neste sábado (31/1), deixou um detento morto e quatro feridos, conforme a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres). O secretário Éden Vespaziano informou que será aberto um inquérito para apurar as circunstâncias da morte do preso. A vítima foi David Bezerra dos Santos, 20 anos, interno do Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (Pjallb), que morreu ao dar entrada no Hospital Otávio de Freitas, na mesma região. A unidade de saúde também recebeu outros dois feridos, Alisson Avelino da Silva, 21, e Diogo Santos de Lima, 20, que vão passar por cirurgia. Mais dois detentos foram atendidos na enfermaria do próprio complexo, com ferimentos leves.





Detentos protestaram contra demora na entrada das visitas
(Foto: Luna Markman/G1)





   Revoltadas com a demora para o início das visitas íntimas, muitas mulheres começaram a gritar e provocar tumulto na frente do portão do Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros, que faz parte do conjunto. A revolta incentivou os detentos a se rebelarem, iniciando uma confusão na manhã deste sábado (31/1). Os presidiários jogaram pedras contra parte da guarda interna, que revidou com gás de pimenta, bombas de efeito moral e balas de borracha.



   O tumulto começou por volta das 7h30 e foi contido no fim da manhã, pelos próprios agentes penitenciários. O Batalhão de Choque da PM foi acionado, mas não precisou entrar na unidade. A Cioe também foi chamada. A equipe chegou a entrar no presídio, no entanto, segundo o secretário, não realizou nenhuma atividade.

   "Nós tivemos um movimento causado pela demora na entrada dos familiares. Infelizmente, nós tivemos um óbito e quatro feridos, sendo dois atendidos na nossa enfermaria e dois que seguiram para o Otávio de Freitas. Está sendo feito o levantamento no hospital sobre a causa da morte, mas deve ter sido durante a contenção", disse o secretário.


   A demora na entrada das visitas ocorre porque os agentes penitenciários iniciaram a Operação 100% Legal neste sábado. Eles estão cumprindo as regras para revistas de visitantes como determina a legislação, como início das visitas às 8h30 e proibição da entrada de comida levada pelos parentes. A restrição revoltou visitantes e detentos.





PMs da Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe)
entraram na unidade no fim da manhã (Foto: Luna Markman/G1)

   "Desde 2011 existe um acordo coletivo firmado entre o governo e sindicato de que, pela quantidade reduzida de agentes penitenciários, a entrada das visitas seria às 8h30. O secretário [Pedro Eurico, de Justiça] prometeu uma coisa que a gente não poderia cumprir: a entrada às 7h. Com a demora, as mulheres começaram a gritar e a balançar o portão. Aí os presos começaram a jogar pedras e teve início a confusão", explicou o vice-presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário do Estado de Pernambuco (Sindasp-PE), João Carvalho.

   A decisão da categoria de iniciar a Operação 100% Legal foi tomada após assembleia realizada na última quinta (29/1), no bairro da Boa Vista, área central do Recife. A assessoria de imprensa do Sindasp-PE informou que ela será mantida no domingo (1º/2).





'Operação intransigente'



   Segundo Vespaziano, a entrada das visitas neste domingo será realizada a partir das 7h. "Nós estamos em um momento de emergência no sistema prisional, e a portaria que estabelece a entrada a partir das 8h30 é do secretariado, que, inclusive, ontem [sexta], já foi mudada para que a entrada seja às 7h. Nós estamos em um momento de crise, que nos força a agilizar a entrada e contamos com o apoio do sindicato. A operação padrão é, de certo modo, intransigente", disse.
   Sobre a informação do sindicato que havia apenas 3 a 4 agentes de plantão para coordenar a entrada das visitas, o secretário assegurou que o plantão tinha seis agentes e estava reforçado com agentes do setor administrativo e homens da Goes, totalizando 10 pessoas.

   O secretário informou que a contenção do tumulto foi necessária para evitar fugas, mas o que foi usado neste controle ainda será apurado. Há informações que os agentes usaram gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha.





Após confusão na manhã deste sábado, toldos começaram a
 ser montados para abrigar parentes de detentos (Foto: Luna Markman/G1)


Emergência no sistema penitenciário



   Na última quarta (28/1), o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), declarou estado de emergência no sistema penitenciário e determinou intervenção do Centro Integrado de Ressocialização de Itaquitinga, que está com as obras paradas há cerca de um ano e meio. O decreto com as medidas foi publicado no Diário Oficial da sexta (30/1). Em nota, o Executivo Estadual destacou que “tais medidas se dão em face à atual situação de tensão vivenciada no sistema prisional”.

   Na semana passada, o Complexo de Presídios do Curado (antigo Aníbal Bruno), o maior de Pernambuco, situado na Zona Oeste do Recife, registrou uma rebelião que durou três dias, deixando o saldo de três mortos e dezenas de feridos. Um sargento da PM foi assassinado durante o motim e um dos detentos foi decapitado. Os três presídios do Curado têm capacidade para 1.800 presos, mas atualmente abrigam 7.000.