Conheça Seus Direitos - Abril Azul em Tacaimbó: conscientizar é importante e garantir direitos é essencial!
O mês de abril é reconhecido mundialmente como o período de conscientização sobre o autismo. Mas é preciso dizer com clareza: conscientizar sem transformar a realidade das famílias não é suficiente.
Em cidades do interior como Tacaimbó, onde o acesso a serviços especializados ainda é limitado, falar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige responsabilidade. Não basta informar, é necessário orientar, acolher e, principalmente, garantir que os direitos saiam do papel e cheguem à vida real.
O que é o autismo e por que o
olhar precisa mudar?
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar a comunicação, a interação social e o comportamento. Cada pessoa autista tem características próprias, com diferentes níveis de suporte necessários. Por isso, o conceito mais importante que a sociedade precisa entender é simples: não existe um único tipo de autismo, existe uma diversidade de pessoas autistas. Esse entendimento é essencial para combater o preconceito, o capacitismo e, principalmente, a negligência institucional.
O que a lei diz sobre o
autismo no Brasil?
Muitas famílias desconhecem que o Brasil possui uma legislação relativamente avançada na proteção dos direitos das pessoas com autismo. O problema não é a ausência de leis é a dificuldade de acesso a esses direitos. A principal norma é a Lei Berenice Piana, que estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Essa lei trouxe um avanço fundamental:
Reconheceu a pessoa com
autismo como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.
Isso significa que a pessoa autista passa a ter acesso a todos os direitos previstos na legislação voltada às pessoas com deficiência, como o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Além disso, a Constituição Federal garante, em seus princípios fundamentais, o direito à dignidade da pessoa humana e à igualdade, assegurando proteção especial às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Direitos garantidos na lei mas
frequentemente negados.
Na prática, o que se observa no dia a dia é uma distância enorme entre o que está na lei e o que é efetivamente oferecido às famílias. Entre os principais direitos das pessoas com autismo, destacam-se:
Benefício Assistencial (BPC/LOAS)
Previsto na Lei Orgânica da
Assistência Social, o BPC garante um salário-mínimo mensal para a pessoa com
deficiência que comprove não possuir meios de se sustentar. Muitas crianças e
adultos com autismo de baixa renda têm direito, mas o benefício é
frequentemente negado por critérios mal aplicados pelo INSS.
Acesso à saúde e terapias
O Sistema Único de Saúde (SUS)
deve garantir atendimento integral, incluindo terapias multidisciplinares. Além
disso, planos de saúde são obrigados a cobrir tratamentos necessários, conforme
entendimento consolidado dos tribunais. Mesmo assim, negativas de cobertura são
extremamente comuns.
Direito à educação inclusiva
A legislação garante que a pessoa
com autismo tenha acesso à escola regular com suporte adequado, incluindo:
- Acompanhante especializado, quando necessário;
- Adaptações pedagógicas;
- PEI (Planejamento Educacional Individualizado)
- Ambiente inclusivo.
A recusa ou limitação desse suporte ainda é uma realidade em muitas escolas. Caso você esteja passando por isso, você deve procurar o Ministério Público, a Defensoria Pública ou um Advogado especialista em Direitos dos Autistas de sua confiança.
Atendimento prioritário
A Lei nº 13.977/2020 instituiu a
Carteira de Identificação da Pessoa com TEA (CIPTEA), para facilitar a
identificação das pessoas com TEA visando dar acesso à prioridade em serviços
públicos e privados. Os autistas têm prioridade sobre as senhas preferenciais e
caso seja desrespeitado isso, o estabelecimento pode ser punido.
O maior desafio em cidades como Tacaimbó
No interior, a dificuldade é
ainda maior. Não raramente, as famílias enfrentam:
- Falta de profissionais especializados;
- Longas filas para diagnóstico;
- Ausência de políticas públicas locais estruturadas;
- Desinformação sobre direitos básicos.
Isso gera um cenário preocupante: direitos existem, mas não chegam até quem precisa.
Quando o direito precisa ser
buscado na prática
É importante ser direto:
- MUITOS DIREITOS SÓ SÃO
EFETIVAMENTE GARANTIDOS QUANDO HÁ ATUAÇÃO JURÍDICA!
Negativas indevidas do INSS, recusa de planos de saúde, ausência de suporte escolar… tudo isso pode e deve ser questionado. Nesse ponto, é importante observar um ponto estratégico e importante: não basta “entrar com um processo”. É necessário atuar com conhecimento técnico especializado, estratégia e sensibilidade social.
Reflexão sobre o Abril Azul
Abril não pode ser apenas um mês
de campanhas simbólicas. Ele precisa ser um marco de mudança.
Mais do que vestir azul, é
preciso:
- Informar corretamente;
- Combater o preconceito;
- Cobrar políticas públicas;
- E garantir que cada família tenha acesso aos seus direitos.
Uma mensagem final para as
famílias
Se você é mãe, pai ou responsável
por uma pessoa com autismo, saiba de algo fundamental: Você não está
pedindo um favor. Você está exercendo um direito. E quando esse direito
é negado, existem caminhos legais para reverter a situação. Buscar orientação
correta pode ser o ponto de virada entre a negativa e a conquista.
Sobre o autor
Stanley Rupert Jones é advogado
com mais de 17 anos de atuação e especializado em Direito Previdenciário e na
defesa dos direitos das pessoas com deficiência e autismo, com experiência
prática na garantia de benefícios, tratamentos e inclusão social para pessoas
autistas e suas famílias.
Atua no agreste pernambucano com
foco em uma advocacia humanizada, técnica e comprometida com resultados
concretos.
É presidente da comissão de defesa dos direitos das pessoas com deficiência da OAB Caruaru e Vice-Presidente do Comud (Conselho municipal de direitos das pessoas com deficiência).
Fone: 81 9 9122 0690
Conheça também o Instituto Benítez Jones @instituto.benitezjones

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