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domingo, 13 de setembro de 2015

Hospital comunica morte de mãe de padre do interior de PE por equívoco




Do G1 PE
"Me deu um transtorno psicológico que eu nem sei descrever", conta o padre Dijailson Canuto (Foto: Thays Estarque / G1)
"Me deu um transtorno psicológico que eu nem sei descrever", conta o padre 
Dijailson Canuto (Foto: Thays Estarque / G1)








   O padre de Glória do Goitá, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Dijailson Canuto, de 33 anos, viveu uma situação inusitada na ultima sexta-feira (11/09). Com a mãe internada desde o dia 4 de setembro para tratar um quadro de infecção pulmonar no Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Recife, recebeu a notícia da morte dela através do serviço social da unidade de saúde. Depois de contratar o serviço funerário, comunicar a família e paróquias vizinhas, o sacerdote descobriu que Josefa Canuto, 65 anos, estava viva e passando bem.

   Bastante emocionado e ainda perplexo pela situação inusitada, o padre contou que passou por duas dimensões de realidade e sentimentos. "Eu tinha ido à capital para visitá-la, então primeiro veio o choque pela morte, para assimilar, chorar e notificar os parentes, além de providenciar toda a parte burocrática que envolve o fato. Depois entramos em outro choque com ela viva, me deu um transtorno psicológico que eu nem sei descrever", contou.

   Indignado, o sacerdote ressaltou que o hospital ainda não apresentou nenhuma justificativa para o ocorrido. "Só foi aquela coisa amadora de dizer: 'Me desculpe, houve um erro'". Canuto ainda relatou que não confia mais no tratamento que a mãe está recebendo na unidade. "A saúde pública do nosso estado está realmente um descaso total e o Hospital Getúlio Vargas é a prova disso. Ali falta desde medicamento até material básico de limpeza. Parece que quando o caos toma conta, a negligência aparece. Agora desconfio dos procedimentos internos, minha mãe está lá e eu aqui com medo do que pode acontecer", completou.

   A notícia da morte se espalhou tão rápido quanto a do erro. Além da rádio localizada no município, 70 paróquias e a rádio comunitária de Ferreiros, mesma região do estado e cidade natal da família do padre, foram responsáveis por replicar o fato. "Lá em Ferreiros colocaram um carro de som passando de cinco em cinco minutos divulgando o dia e a hora da missa de corpo presente", relembrou Dijailson.


Radialista Gilmar Santos leu notícia em nota oficial na rádio, para população de 32 mil pessoas (Foto: Thays Estarque / G1)
(Foto: Thays Estarque / G1)
   Repórter da rádio Goitacaz, de Glória do Goita, Gilmar Santos, 32 anos, explicou que até uma nota oficial escrita pelo sacerdote foi emitida para a população de 32 mil pessoas. "Foi um choque, não sabíamos direito como íamos dar essa notícia para o povo. Em 12 anos de rádio nunca dei uma notícia dessa, vimos até na televisão casos parecidos, mas nunca achei que teria um tão perto". Gilmar disse também que o incidente está sendo visto como um milagre. "O que se ouve por aqui é: 'Graças a Deus que ela está vida'", contou.

   Vigário paroquial no município há um ano, padre Dijailson é tido como um homem carinhoso e que luta pelos direitos dos moradores. Para a coordenadora da catequese, Inês Maria Pedroso, de 44 anos, é um absurdo isso ter acontecido com o sacerdote. "Para qualquer ser humano isso é muito constrangedor, ainda mais para ele que zela e cuida tão bem daquela mãe. É uma falta de respeito, todos nós nos comovemos, ficamos tristes, entramos em oração para o nosso vigário".

   Por conta do erro e do transtorno que foi causado na família do padre, a assessoria jurídica da paróquia está terminando de colher a documentação para dar entrada numa ação contra o HGV. "Entraremos com uma ação de ideanização de danos morais e materiais porque os seis irmãos que moram fora chegaram a emitir passágens aéreas após a comunicação do falso falecimento. Além de pedir um ressarcimento do drama sofrido pelos familiares, buscamos coibir o hospital a não praticar mais esse tipo de conduta irresponsável", informou Silvio Latache, advogado.

   Através de nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco informou que a direção do HGV "se solidariza com a família da paciente Josefa Canuto Martins e garante que vai investigar o ocorrido para tomar todas as providências cabíveis no caso".

   Enquanto isso não acontece, a população de Glória do Goita se apega à crença popular da região de que a pessoa que é tida como morta, sem estar, viverá por muito tempo.

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