Designer cria tecnologia para denunciar assédio

   O programa “Encontro com Fátima Bernardes” desta segunda-feira (03/02) chamou a atenção do público para um assunto grave e urgente: mulheres da plateia ocuparam assentos de ônibus colocados no palco para compartilhar relatos de assédios que sofreram no transporte público. E um novo assédio acontece a cada seis segundos, de acordo com estatísticas do Instituto Maria da Penha. Mas a maioria desses casos não chegam a ser registrados, devido à vergonha e à culpa que as vítimas sentem. Grande parte das vezes, as mulheres ficam tão atordoadas que sequer conseguem reagir quando percebem o assédio.

   Diante dessa realidade, a pernambucana Simony César, formada em design gráfico e filha de uma mãe trocadora de ônibus, criou a NINA, uma tecnologia para denunciar assédios em tempo real que pode ser incorporada a aplicativos de mobilidade urbana. O recurso também auxilia na coleta de provas e, por consequência, acelera a investigação dos casos denunciados. As informações coletadas pelo aplicativo se revertem em dados, que podem ser acessados por empresários dos transportes, órgãos de segurança pública e prefeituras e, desta forma, colaborar para a formulação de políticas públicas.

   Em 2019, a prefeitura de Fortaleza, CE, adotou a tecnologia NINA, que é conectada às câmeras de segurança dos ônibus e coleta imagens no intervalo de horário relatado pela denunciante. Entre os meses de março e junho, 77 ocorrências de assédio registradas por meio da NINA se tornaram inquéritos policiais. Tanto vítimas como testemunhas podem denunciar, mas é fundamental que os casos sejam encaminhados à polícia após o relato no aplicativo. Mais cinco cidades iniciaram os trâmites para implantação da tecnologia em 2020.

   Simony contou que o nome da tecnologia foi inspirado por uma frase da cantora Nina Simone: “Liberdade é não ter medo”.


Blog do Magno Martins



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