Bolsonaro adota estilo ‘paz e amor’ depois de maré de más notícias

Bolsonaro - reunião governadores

Mas a pergunta é: até quando vai a fase "institucionalizada" do presidente? A resposta parece morar no STF.

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Cordato. Um Jair Bolsonaro pregando a união de esforços e bem distante da conduta beligerante que vinha tendo em relação aos governadores participou nesta quinta-feira de reunião com os representantes dos 26 Estados e do Distrito Federal. Defendeu o veto à possibilidade de reajuste de servidores, que vem segurando há duas semanas, e se comprometeu com o repasse da ajuda aos Estados, que está sendo postergada por conta desse detalhe. Surpreendeu a audiência.
Por quê? A pergunta diante do tom do presidente foi: de onde veio tanta cordialidade? A aposta é que Bolsonaro está “pianinho” na esperança de obter alguma benevolência por parte do decano do STF, Celso de Mello, que decide nas próximas horas se libera ou não a íntegra do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril em que o presidente ameaçou em alto e bom som demitir Sérgio Moro caso ele não lhe entregasse as mudanças que queria na Polícia Federal.
Suspense. O decano e relator do inquérito para apurar as denúncias de Moro mantém o mistério desde a semana passada. Ele assistiu ao vídeo e os relatos de quem falou com ele são de que ficou horrorizado com seu conteúdo. Resta saber se entenderá, como pede a defesa de Moro, que a íntegra é de interesse público ou se restringirá a publicidade aos trechos que dizem respeito às acusações do ex-ministro.
Sinais ruins. Por mais que Bolsonaro tente fazer acenos ao STF, ao Congresso e aos governadores, o fato de ter esticado demais a corda, com palavras, atos e medidas, não faz com que nenhum desses agentes confie na sinceridade da trégua. Tanto que, no mesmo dia da aparição do Bolsonaro “paz e amor”, o Supremo formou maioria para mitigar muito a medida provisória editada por ele criando uma espécie de “excludente de ilicitude” para agentes públicos durante a pandemia.
Assim, não. Pela proposta, servidores e até o presidente só poderiam ser punidos por atos ou medidas adotados durante a pandemia se ficasse comprovado dolo ou “erro grosseiro”. O relator de ações de inconstitucionalidade contra a MP, ministro Luis Roberto Barroso, incluiu como erro grosseiro contrariar determinações médicas e científicas de órgãos nacionais e internacionais.
Bye-bye cloroquina? Isso coloca na alça de mira o decreto assinado pelo ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, liberando geral o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para pacientes de covid-19, mesmo para casos leves e iniciais. O fato de que agentes que o fizerem estarão sujeitos a punição pode fazer com que o próprio decreto seja anulado pelo Congresso ou pelo próprio STF.
Fonte: jornaldecaruaru
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