Pernambucano morre em Lisboa no dia de retornar ao Brasil; família pede doações para trazer o corpo
Um pernambucano de 26 anos, morador de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, morreu subitamente durante uma temporada em Lisboa, Portugal. Sem condições de arcar com o traslado, a família mobiliza a internet e autoridades para conseguir trazer o corpo ao Brasil.
Allef Antônio de Paulo residia com os pais em Maranguape I, e viajou a Lisboa, onde uma de suas três irmãs mora, com o objetivo de conseguir emprego e uma vida melhor. Segundo a prima Mariana de Freitas, apesar da tentativa, ele não conseguiu se adaptar e já estava prestes a retornar ao Recife quando tudo aconteceu.
"Ele já estava com a passagem de volta comprada. Nossa avó, de 93 anos, sofreu um acidente e fraturou a costela recentemente. Isso o preocupou e reforçou o desejo de voltar de vez ao Brasil. Ele estava se sentindo sozinho lá", destacou Mariana, informando que o primo viajou para Portugal no início de 2025 e morava só.
O voo de volta estava marcado para a tarde da última quarta-feira, dia 2 de julho. Allef já havia se despedido da irmã que mora no país e, na noite na terça (1º), um dia antes do retorno ao Brasil, teria se encontrado com amigos que fez na viagem.
Allef havia viajado para Portugal no início deste ano | Foto: Cortesia
Segundo a prima, a despedida entre amigos esticou até a madrugada da quarta (2), data em que ele retornaria ao Brasil. Foi quando o jovem passou mal e teve a primeira de três paradas cardíacas. Allef foi socorrido para um hospital.
A notícia do ocorrido chegou primeiro por meio de ligação para a família em Pernambuco, que, inicialmente, achava se tratar de um trote.
"O hospital fala que ele teve duas paradas cardíacas lá [na unidade de saúde] e uma antes. Tentaram reanimar, mas não conseguiram", afirmou Mariana, que recebeu a confirmação da morte.
Ela detalhou que a primeira iniciativa dos familiares foi buscar a ajuda da Embaixada e do Consulado, ainda na terça, para o translado do corpo, mas sem êxito.
"Ninguém se disponibilizou a falar com a gente, nem está dando ouvidos. O tanto de vezes que eu liguei para o Consulado, para a Embaixada, para Brasília, e ninguém atende. Mandamos um e-mail e tivemos a resposta do Consulado de que precisaríamos declarar baixa renda para que eles pudessem analisar. Até agora não analisaram", afirmou a prima.
A reportagem da Folha de Pernambuco entrou em contato com o Itamaraty para entender o trâmite, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Família, carinhoso e em busca de um sonho
Mariana de Freitas descreve o primo Allef como um jovem carinhoso, muito preocupado com a família e trabalhador. Desde cedo, ele ajudava os pais a vender coxinha em Rio Doce, Olinda.
"Ele era do bem, tinha tudo para dar certo, tinha boa índole. Sempre foi acolhedor, amigo. Era o único filho homem e apegado à mãe, cuidava muito dela. Ligava todos os dias 'oi, mainha, painho, bença'. Já trabalhou com um monte de coisa, com evento, em pizzaria, sempre se virou", relatou Mariana.
E foi com o desejo de conseguir uma vida melhor para todos que ele viajou até Portugal. Apesar de uma das irmãs já morar por lá, Allef preferiu se instalar sozinho em uma residência temporária. E foi na solidão dos novos desafios que percebeu não querer mais ficar no país estrangeiro.
Pedido de doações
Mariana informou que o custo com o translado junto à funerária é de 6 mil euros, que, convertidos, ficariam em torno de R$ 40 mil. Sem condições de arcar e, diante da falta de respostas das autoridades, os familiares e amigos mobilizaram uma campanha de doação na internet para conseguirem se despedir de Allef pela última vez.
"A família dele é de evangélicos. Além da dor, tem a exposição que está sendo muito dolorosa para a minha tia. Para eles [pais de Allef] é mendigar um enterro, porque a família não tem condições", disse a prima, que completou:
"Nossa chance era usar a internet, como no caso da Juliana Marins [brasileira que caiu de um penhasco na Indonésia]. A gente queria que o governo nos ouvisse, não queríamos arrecadar dinheiro, mas era a única forma para trazer o corpo", afirmou.
No caso da publicitária Juliana Marins, foi o governo federal que bancou o translado do corpo, a pedido do presidente Lula, após comoção nacional do caso e vários apelos feitos pela família.
Ainda por conta da morte da brasileira, Lula mudou o decreto que proibia o uso de recursos públicos para bancar o traslado do corpo de cidadãos mortos no exterior.
O novo documento estabelece que a medida, considerada como de caráter excepcional, permite que o Estado banque o traslado, desde que haja recursos orçamentários e em situações específicas.
As alterações passaram a valer em 27 de junho deste ano em quatro situações:
- Se a família comprovar incapacidade financeira para o custeio das despesas com o traslado;
- Se as despesas com o traslado não estiverem cobertas por seguro contratado pelo viajante, ou previstas em contrato de trabalho se o deslocamento para o exterior tiver ocorrido a serviço;
- Se a morte ocorrer em circunstâncias que causem comoção;
- Quando houver disponibilidade orçamentária e financeira nos cofres públicos.
Sem respostas das autoridades, o pedido de doações para Allef segue. Até o momento, foram arrecadados R$ 30 mil, faltando R$ 10 mil para que o traslado possa ser pago. Além da apreensão em conseguir o valor, os familiares também aguardam a liberação do laudo da morte. Ainda não se sabe o que pode ter provocado a parada cardíaca.
"Ele já vinha com ansiedade. Dizia que estava querendo voltar para casa, que estava se sentindo muito só. Ele já vinha assim, às vezes, não dormia à noite, pensando em vir embora", relatou a prima.
As doações devem ser feitas via Pix, para a conta da irmã de Allef, a partir dos dados a seguir:
Titular: Tarciane Maria de Paulo
Chave Pix (celular): 81987938640
Banco: Santander.
Fonte: Folha PE
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