Freixo: ‘Prédio que desabou em Rio das Pedras era uma das principais fontes de renda de miliciano ligado a Bolsonaro’


O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), um dos parlamentares mais ativos no combate às milícias cariocas, escreveu uma sequência de publicações no Twitter sobre o edifício que desabou nesta quinta-feira (3) em Rio das Pedras, área que é considerada o “berço das milícias”.

Em 2019, 24 pessoas morreram num desabamento de dois prédios na Muzema, que haviam sido construídos de forma irregular por milicianos que atuam na região.

Leia o depoimento de Freixo:

Dois anos após a Muzema, mais um prédio desaba em Rio das Pedras, berço das milícias no RJ. A grilagem de terras, construção irregular e venda de imóveis se tornaram um dos negócios mais lucrativos dos milicianos, colocando em risco a vida das famílias pobres.

Essa feroz expansão imobiliária das milícias mostra a relação das quadrilhas com autoridades públicas e seu poder dentro das instituições. Afinal, esse complexo esquema que envolve construção civil e corretagem não seria possível sem a cumplicidade criminosa de autoridades.

A construção ilegal em Rio das Pedras era uma das principais fontes de renda de Adriano da Nóbrega, miliciano e matador profissional morto na Bahia, ligado à família Bolsonaro. Flávio deu a Medalha Tiradentes a Adriano e empregou a mãe e ex-esposa do bandido em seu gabinete.


Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em janeiro de 2019 acusado de chefiar grupo de matadores de aluguel Foto: Divulgação / Polícia Civil

Fiz a CPI das Milícias em 2008, que resultou na prisão de todos chefões, no indiciamento de 226 pessoas e em 58 propostas concretas p/ enfrentar o crime organizado. Foi um marco na história da Segurança Pública do RJ. Mas as demais autoridades não seguiram nossas orientações.

Por quê? As milícias transformam o controle territorial em domínio político e eleitoral. Elas negociam com políticos corruptos os votos dos moradores que subjugam. As milícias elegem vereadores, deputados, senadores… Em troca elas ganham mais influência e proteção política.

O esquema de construção ilegal é revelador. Imóveis são erguidos de forma irregular e depois a legislação é modificada na Câmara de Vereadores p/ que eles sejam legalizados. Isso ocorreu no governo Crivella com a Lei do Puxadinho, que acabou derrubada pela Justiça.

Enfrentar as milícias é lutar pelos mais pobres, porque são eles os que mais sofrem com a violência do crime organizado, que atua no vácuo da falta de políticas públicas. PRECISAMOS DE UMA VEZ POR TODAS COMBATER AS MILÍCIAS, cortando seus braços econômico e político.

Minha solidariedade às vítimas do desabamento, há uma mulher, um homem e uma criança ainda não identificados nos escombros. Minha solidariedade ao moradores da Zona Oeste do RJ que estão sofrendo. Eu estou ao lado de vocês na luta contra o crime organizado.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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